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sábado, 9 de julho de 2011

SOCIEDADE COM JESUS


Sábado à tarde
Ano Bíblico: Jz 13–16

Verso para Memorizar: “Permanecei em Mim, e Eu permanecerei em vós. Como não pode o ramo produzir fruto de si mesmo, se não permanecer na videira, assim, nem vós o podeis dar, se não permanecerdes em Mim” (Jo 15:4).

Leituras da semana: Mc 1:21-35; Lc 4:31-42; Mt 6:14, 15; 25:34-46; 26:36-44; Sl 31:24

Em anos recentes, pesquisas apontaram os efeitos positivos que religiosidade, fé, espiritualidade, oração, perdão, esperança e frequência à igreja podem ter sobre a saúde, inclusive a saúde mental. Numerosas publicações científicas preeminentes relataram uma conexão entre fé religiosa e bem-estar mental e emocional. Surpresa das surpresas!

Mas isso não é magia; o fator fé se aplica só aos que estão profundamente dedicados a seus princípios religiosos. O psiquiatra Montagu Barker, perito na relação entre religião e saúde mental, afirma que a religião é uma proteção poderosa contra a doença mental, mas só quando os crentes têm forte compromisso com suas convicções. Se não, a religião pode se tornar fonte de culpa e causa de perturbações emocionais, mentais e comportamentais.

Nesta semana, vamos estudar nosso melhor exemplo, Jesus, a fim de aprender como podemos ser fortes na fé. Estudando Sua vida e mantendo íntima relação com Ele, podemos construir mecanismos sólidos para o crescimento espiritual, que, por si sós, podem levar à melhor saúde mental.

Oração e estudo da Bíblia, adoração, prática do perdão, serviço aos outros, esperança e confiança em Deus são caminhos seguros para o desenvolvimento espiritual e a saúde mental. Com Jesus como nosso exemplo, seguramente não podemos errar.

A NATUREZA COMO FONTE DE SAÚDE


Sábado à tarde
Ano Bíblico: Js 18–21

Verso para Memorizar: “Os céus proclamam a glória de Deus, e o firmamento anuncia as obras das suas mãos. Um dia discursa a outro dia, e uma noite revela conhecimento a outra noite” (Salmo 19:1, 2).

Leituras da semana: Gn 1:27–2:25; Gn 3; Jr 10:12, 13; Sl 19:1-7; Mt 6:25-34; Sl 104

Deus criou Adão e Eva à Sua própria imagem. Que herança poderia ser mais perfeita? Então, Ele os colocou no Jardim do Éden. Que ambiente poderia ser mais perfeito? Tanto a hereditariedade como o ambiente, então, foram divinamente equilibrados para produzir e preservar saúde mental e física perfeitas.

Porém, o pecado arruinou tudo – e já na segunda geração, inveja, ódio e violência contaminaram o mundo. O ambiente natural também sofreu os resultados iniciais do pecado, e quando o pecado se tornou intolerável, o Dilúvio mudou para sempre a imagem da Terra.
Ainda assim, permanecem muita bondade e beleza no mundo natural. A natureza ainda provê recursos suficientes para satisfazer às nossas necessidades básicas. Ela também pode prover alegria, felicidade e bem-estar para compensar parcialmente a miséria causada pelo pecado.

Deste modo, apesar de suas convulsões às vezes violentas e mortais, a natureza pode ser uma fonte de saúde mental e física. Pode também se tornar um meio para nos aproximar sempre mais perto do Criador, fonte de toda bondade: “Toda boa dádiva e todo dom perfeito são lá do alto, descendo do Pai das luzes” (Tg 1:17).

LIBERTAÇÃO DOS VÍCIOS


Sábado à tarde
Ano Bíblico: Dt 26–28

Verso para Memorizar: “Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres” (Jo 8:36).

Leituras da semana: Pv 23:29-35; 1Co 7:2-5; Mt 25:15-30; Mc 10:17-27; 1Pe 3:3, 4

Nos últimos anos, muitos povos se libertaram da tirania e escravidão política. Mas existe outro tipo de escravidão, que pode ser tão ruim ou pior que sua contraparte política – a escravidão do vício. Álcool, tabaco e outras substâncias têm escravizado milhões. Além disso, poderosos vícios não químicos também estão em alta: sexo, pornografia, jogo (ou investimentos arriscados), e a acumulação de dinheiro e bens.

Todos os vícios criam dependência (a pessoa se sente muito incomodada até que a substância seja tomada ou o ato praticado) e certo grau de tolerância (a pessoa precisa cada vez mais dele para alcançar o mesmo efeito das vezes anteriores). Desse modo, as pessoas sentem cada vez mais dificuldade para escapar do ciclo que as capturou. Por essa razão, os que foram apanhados por essas armadilhas precisam do apoio da família, da igreja e dos amigos. Eles também podem precisar de cuidados profissionais e, acima de tudo, do poder de Deus, que opera em sua vida para lhes dar a liberdade que lhes é prometida em Cristo, o Senhor.

INVEJA


Sábado à tarde
Ano Bíblico: Dt 4–7

Verso para Memorizar: “Cruel é o furor, e impetuosa, a ira, mas quem pode resistir à inveja?” (Provérbios 27:4).

Leituras da semana: Is 14:12-14; Tg 3:16, 17; Êx 20:17; Gn 37; 1Sm 18; Mt 12:14

Uma das emoções mais devastadoras é a inveja. É o tipo mais antigo de pecado (Is 14:14) e pode ferir não só as relações interpessoais (2Co 12:20) mas também a saúde física (Pv 14:30).

A inveja costuma ser pessoal; ela atinge aquele que é percebido como rival e ameaça. Como resultado, frequentemente, a inveja provoca violência, tanto psicológica (abuso verbal, calúnia, crítica) como física. Quem em determinado tempo, não sentiu a infelicidade que essa emoção provoca?

Esta lição fornece exemplos de pessoas que permitiram que a inveja afetasse seu comportamento: Satanás, os irmãos de José, o rei Saul e os principais dos sacerdotes dos tempos do Novo Testamento. O resultado sempre foi desastroso. O que surpreende, também, é que todos esses indivíduos invejosos desfrutavam elevados privilégios e posições. Mas todos caíram na armadilha do ódio à outra pessoa pelo que eram ou pelo que tinham.

O Senhor adverte a nos afastarmos desse caminho errôneo e deseja que Seus filhos amem o próximo a ponto de se alegrar com eles em seus dons, realizações e posses como se fossem nossos.



Domingo
Ano Bíblico: Dt 8–10

Na raiz do mal


1. Qual foi a causa da expulsão de Satanás do Céu? Is 14:12-14. O que isso diz sobre a possibilidade de surgir essa característica terrível mesmo em um ambiente perfeito como o Céu?


A Lúcifer, a criatura mais magnífica saída das mãos de Deus, foi dado o lugar mais elevado no Céu, depois da Divindade. Sua honra, beleza e inteligência eram supremas, e, ainda assim, o pecado cresceu dentro dele (Ez 28:12-15). A perfeita paz e felicidade de todas as criaturas foram transtornadas por esse ato de exaltação própria e inveja em relação a Cristo.

“Serei semelhante ao Altíssimo” (Is 14:14) foi o pensamento que ativou dissensão, rebelião, violência e muita dor a todos os habitantes do Céu e, depois, para toda a família humana. “Satanás teve ciúmes de Jesus. Ele desejava ser consultado sobre o plano de criação do homem, e porque não o foi, encheu-se de inveja, ciúmes e ódio. Ele desejou receber no Céu a mais alta honra depois de Deus” (Ellen G. White, Primeiros Escritos, p. 145).

Em contraste, olhemos a Jesus. A concepção do pecado por meio de inveja e egoísmo é repelida pela disposição de Jesus de ser humilhado ao nível mais baixo da humanidade e ser morto, como um criminoso, para que cada um de nós pudesse ser salvo da total destruição provocada pelo pecado (2Ts 1:9).

2. Que contraste dá Tiago a respeito dos males provocados pela inveja? Tg 3:16, 17


Nossa natureza é tão pecaminosa que a primeira má ação torna mais fácil a seguinte. Quando o caminho errado é iniciado mediante inveja e ambição egoísta, o resultado parece ser uma ampla variedade de pecados: “confusão e toda espécie de coisas ruins” (v. 16), como Tiago descreve. A notícia maravilhosa é que há lugar para outra opção, que é “pura; depois, pacífica, indulgente, tratável, plena de misericórdia e de bons frutos, imparcial, sem fingimento” (v. 17). Essa opção é o amor.

Lúcifer não considerou o que tinha; ao contrário, escolheu cobiçar o que Cristo tinha. Com que frequência tendemos a fazer algo semelhante? Quanta inveja e ciúmes você abriga pelos que têm “mais” que você? Como você pode vencer essa emoção perigosa?



Segunda
Ano Bíblico: Dt 11–13


Os irmãos de José


Com muita frequência, surgem inveja e ciúmes entre aqueles com quem somos muito íntimos, e isso torna ainda mais devastador o potencial para graves consequências. Realmente, uma grande quantidade de agressões (físicas ou psicológicas) e inveja existe hoje dentro do círculo familiar e, frequentemente, na raiz desse problema está a rivalidade entre os membros da família.

3. Pense na história de José. Que atitude de seus irmãos os levou a cometer esse crime tão grave? Qual foi o papel da inveja? Gn 37:1-36


É difícil acreditar que esses irmãos pudessem ter sido tão cruéis. Eles também não pensaram no que suas ações fariam a seu pai. Sua inveja se tornou tão poderosa que prevaleceu não apenas sobre o bom senso, mas também sobre a decência e moralidade. Que lição poderosa deve ser para todos nós quanto ao perigo potencial dessa emoção! Não é de estranhar que haja um mandamento inteiro dedicado a nos advertir contra ela (veja Êx 20:17).

Além de toda a dor que suas ações provocaram sobre si mesmos e sobre seu pai, eles também temeram o que José lhes faria depois da morte de seu pai, Jacó (Gn 50:15).

Mas a atitude de José não podia ter sido mais nobre, pois ele disse: “Não tenham medo. Estaria eu no lugar de Deus?” (v. 19). José entendeu que seu dever era perdoar os ofensores e confiar na misericórdia e justiça de Deus.

A vida de José tem sido comparada com a vida de Jesus Cristo. A inveja moveu seus irmãos a vendê-lo como escravo; alguns sacerdotes e anciãos tinham inveja de Jesus, e essa inveja alimentou suas ações contra Ele. José foi vendido aos pagãos; Jesus foi vendido a Seus inimigos. José foi acusado falsamente e enviado para a prisão por causa de sua virtude; Jesus foi acusado falsamente e rejeitado por causa de Sua justiça. José demonstrou nobre benevolência para com seus irmãos; Jesus, também, perdoou Seus inimigos. As más ações contra José, por fim, levaram para o bem; a mesma coisa aconteceu a Jesus, no sentido de que o mal feito contra Ele foi igualmente transformado em bem.

Que dor e sofrimento a inveja e os ciúmes – seus ou de outra pessoa — provocaram à sua vida? Que lições você aprendeu dessas experiências? Com que frequência você também sentiu inveja a respeito de coisas que hoje parecem triviais e sem sentido? Que lição você deve aprender desses fatos?



Terça
Ano Bíblico: Dt 14–17


A inveja de Saul contra Davi – I


Um caso clássico da atuação da inveja pode ser visto na história de Saul e Davi. Saul era rei, governante de uma nação. Tudo corria a seu favor, mas veio a inveja, e tudo pareceu mudar para ele. Ou a inveja só fez aparecer o que já estava lá dentro de Saul?

4. Qual foi a atitude inicial de Saul em relação a Davi? 1Sm 18:1-5


As ações de Saul mostram que ele teve uma atitude muito positiva em relação a Davi, a quem ele deu uma posição elevada no exército. Considerando também a atitude de seu próprio filho para com Davi, está claro que Davi teve o favor real.

5. O que mudou a atitude de Saul? 1Sm 18:6-9. Por que a atitude de Saul é uma resposta humana tão comum?


O restante do capítulo 18 de 1 Samuel mostra quão prejudicial se tornou a inveja de Saul sobre Davi. Esse sentimento o levou a toda sorte de desvios e artifícios, mas nenhum deles funcionou. As próprias coisas que ele temia em Davi se tornaram cada vez mais evidentes!

A inveja gera uma série de emoções negativas: baixa autoestima, ódio, suspeita, medo, culpa e ira. Saul tinha medo de Davi, como o capítulo menciona várias vezes. Ele pode ter sentido medo de perder sua posição real ou medo de que Davi se tornasse o herói absoluto de Israel. Mas sua principal fonte de medo era “porque o Senhor era com [Davi] e Se tinha retirado de Saul” (1Sm 18:12).

Ser abandonado por Deus é motivo suficiente para ter medo. Mas o medo de Saul foi agravado pelo fato de que “o Senhor... estava com Davi” (v. 12, NVI). Saul estava impossibilitado de aplicar â situação a lógica simples de Gamaliel: “Se [isso] for de origem humana, fracassará; se proceder de Deus, vocês não serão capazes de impedi-los” (At 5:38, 39). Quando o Senhor abençoa as pessoas, não há motivo para alimentar inveja ou buscar sua destruição. Deus continuará a abençoá-las.

Embora a atitude de Saul fosse errada, por que é relativamente fácil entender? Qual é sua atitude imediata para com alguém que você julga ser uma ameaça à sua posição? Você entrega tudo ao Senhor, ou começa a conspirar uma estratégia contrária?





Quarta
Ano Bíblico: Dt 18–20


A inveja de Saul contra Davi – II


6. Como a inveja de Saul se acentuou? Veja a história em 1 Samuel 19. Que lições existem aqui para nós?


Inicialmente, Saul agiu com alguma cautela e sutileza na tentativa de remover a ameaça representada por Davi. Quando isso não funcionou, ele passou a agir abertamente com seus planos assassinos. Provavelmente, a princípio, ele nunca houvesse sonhado em ir tão longe. Porém, uma que vez as comportas do pecado são abertas, nenhum de nós percebe quão longe esse caminho pode nos levar.

Matar Davi se tornou uma obsessão. Os sentimentos negativos de Saul, abrigados a princípio quando as mulheres cantaram e dançaram em homenagem a Davi, logo alcançaram o ponto de cometer atentados assassinos contra sua vida. Somente nos capítulos 18 e 19 encontramos oito tentativas específicas, ordenadas ou realizadas pelo próprio Saul, para assassinar Davi.

O restante da história é muito triste, conforme as coisas pioraram para Saul. À medida que seu ódio e inveja cresciam, ele foi ficando cada vez mais irracionalmente suspeitoso de Davi, obcecado para matá-lo e assustado com os filisteus ao redor. Com a desculpa de que haviam apoiado Davi, ele matou 85 sacerdotes do Senhor e muitos homens, mulheres, crianças, bebês e gado na cidade sacerdotal de Nobe (1Sm 22:17-19). Veja aonde ele estava sendo levado!

Cheio de terror por causa da incursão dos filisteus, ele perguntou ao Senhor o que fazer. Mas Saul havia ido muito longe de Deus, ignorando muitas vezes o conselho divino, pelo que não obteve resposta. Então, ele decidiu consultar um espírito mau por meio de uma feiticeira, prática que ele mesmo havia proibido. Ele até se curvou e se prostrou com a face em terra diante do espírito mau que personificava o falecido Samuel (1Sm 28:14). Esse foi o início de seu fim, pois, no dia seguinte, ele e seus filhos perderam a vida diante dos filisteus (1Sm 31), como o mau espírito o avisou, obviamente, uma manifestação demoníaca.

Deixando a inveja germinar, Saul seguiu um caminho de completa apostasia e ruína. Pior ainda, seu pecado trouxe sofrimento não só a ele mesmo, mas a toda sua família. O pecado já é mau quando nos atinge como indivíduos. No entanto, raramente o dano e a dor são tão localizados. Na maioria dos casos, nossas ações erradas também afetam negativamente os outros.

Pense em todos os casos que vimos até agora. Em cada exemplo, a inveja e seus resultados tiveram consequências de longo alcance, provavelmente não imaginadas pela pessoa que primeiramente abrigou a emoção. Então, é importante, pela graça de Deus, buscar morrer para o eu no momento em que essa horrível emoção surge em nosso coração.




Quinta
Ano Bíblico: Dt 21–23


Inveja contra Jesus


“Porque sabia que, por inveja, O tinham entregado” (Mt 27:18). Dê uma rápida olhada nos primeiros onze capítulos de Mateus, destacando especificamente as coisas que Jesus fez. Então, leia Mateus 12:14.

7. O que Jesus disse e fez que pudesse ter levado os líderes a responder desse modo? O que suas ações revelam sobre seu coração? Ao pensar em sua resposta, pense em como teria respondido se fosse você que estivesse nessa situação.


Os sacerdotes e principais dos anciãos eram educados e exatos na observância da lei. Mas sua análise da vida religiosa era tão microscópica que perdiam de vista o objetivo da religião. Jesus trouxe uma visão nova de devoção, e o povo de Israel (inclusive líderes religiosos) ouviam as boas-novas de salvação. No entanto, em lugar de agradecer a Jesus por alertá-los quanto a seu caminho de destruição própria, eles procuraram destruí-Lo.

Com que frequência as pessoas permitem que sua inveja os cegue para o que deveria ser óbvio! Depois de tudo o que Jesus estava fazendo, milagres, curas, expulsões de demônios, é difícil imaginar alguém O interrogando como se fosse algo diferente de Deus. A evidência que Ele dera deveria ter sido mais que convincente (veja Mt 11:4, 5).

Talvez por estarem mais cientes de sua própria necessidade, as pessoas comuns estavam mais abertas a Jesus que muitos dos líderes religiosos, que temiam que Jesus mudasse o status quo e, assim, pusesse em risco sua posição. De muitas formas, o ensino de Jesus era tão diferente dos deles, e Sua mensagem era tão mais atraente que eles tinham bons motivos para temer Sua influência. Infelizmente, eles estavam mais preocupados em preservar o próprio poder e influência do que em conhecer e seguir a verdade.

O fato de que a inveja os estava motivando não era segredo. De acordo com Mateus 27:18, até o líder romano Pilatos sabia quais eram seus motivos, de tão evidente que se tornou. Infelizmente, esses líderes estavam tão completamente cegos por sua inveja que achavam estar defendendo a fé contra algum impostor que desviava o povo. Se eles se houvessem rendido em humildade e fé diante do Senhor em vez de deixar que seu pensamento invejoso predominasse sobre sua razão, eles teriam evitado o curso trágico que seguramente os levou à ruína eterna. Em nosso contexto, qualquer que seja, bem faríamos em aprender de seus erros.



Sexta
Ano Bíblico: Dt 24, 25


Estudo adicional


Satanás foi outrora um honrado anjo no Céu, o primeiro depois de Cristo. Seu semblante, como o dos outros anjos, era suave e exprimia felicidade. Sua testa era alta e larga, demonstrando grande inteligência. Sua forma era perfeita, seu porte, nobre e majestoso. Mas quando Deus disse a Seu Filho: “Façamos o homem à Nossa imagem” (Gn 1:26), Satanás teve ciúmes de Jesus. Ele desejava ter sido consultado sobre a criação do homem, e porque não o foi, se encheu de inveja, ciúmes e ódio. Ele desejou receber no Céu a mais alta honra depois de Deus (Ellen G. White, Primeiros Escritos, p. 145).

“Um grande defeito no caráter de Saul era seu amor à aprovação. Essa característica tivera uma influência preponderante em suas ações e pensamentos; tudo se assinalava pelo seu desejo de louvor e exaltação própria. ... Era a aspiração de Saul ser o primeiro na estima dos homens; e, quando foi entoado o cântico de louvor a Davi, uma firme convicção entrou na mente do rei, de que Davi ganharia o coração do povo, e reinaria em seu lugar. Saul abriu o coração ao espírito de inveja de que sua mente estava envenenada” (Ellen G. White, Patriarcas e Profetas, p. 650).

Perguntas para reflexão
1. Por quantas coisas você é grato? Por que é tão importante se demorar nessas coisas, em vez de em seus problemas?
2. Pense em alguns dos personagens da Bíblia que demonstraram inveja na lição desta semana: o anjo superior no Céu, o rei de Israel, os líderes religiosos em Israel. Todos esses estavam em posições exaltadas; todos tinham muito. Mas permitiram que a inveja invadisse os sentimentos e provocassem desolação. A inveja é um problema interior, do coração, e não apenas algo que provém de condições externas. Por que alguém podia ter tanto do que este mundo oferece e ainda ser contaminado pelo veneno odioso da inveja?
3. Ellen White escreveu em Patriarcas e Profetas (veja a citação acima) que “o grande defeito” no caráter de Saul foi “seu amor à aprovação”. Só um “pequeno” defeito, e veja o que aconteceu! O que esse fato deveria nos dizer sobre o perigo de não buscar vencer todas as falhas de nosso caráter antes que elas nos vençam? Que promessa da Bíblia você pode reivindicar para ter a esperança e encorajamento para vencer esses defeitos de caráter?

Respostas sugestivas:
Pergunta 1: O orgulho
Pergunta 2: A inveja provoca todos os tipos de males; a sabedoria de Deus traz somente o bem.
Pergunta 3: Além da inveja, eles se ressentiam da fidelidade de José a seu pai.
Pergunta 4: Saul confiava nele.
Pergunta 5: A inveja o levou a odiar Davi.
Pergunta 6: Pelos sucessos militares de Davi.
Pergunta 7: Jesus Se tornara popular e os líderes judeus temiam perder a liderança sobre o povo.

AUTO-ESTIMA


Sábado à tarde
Ano Bíblico: Nm 22–24

Verso para Memorizar: “Vocês... são geração eleita, sacerdócio real, nação santa, povo exclusivo de Deus, para anunciar as grandezas daquele que os chamou das trevas para a Sua maravilhosa luz” (1Pe 2:9, NVI).

Leituras da semana: Sl 100:3; At 17:24-28; Rm 12:3; Mt 22:39, 2Sm 9; Lc 15; Ef 4:23-32

Baixa autoestima é um mal moderno. Seus portadores frequentemente são levados ao aconselhamento ou ao consultório pastoral por esse mesmo motivo ou por problemas mais complexos, como abuso de drogas, depressão ou distúrbios alimentares.

Na existência diária, a baixa autoestima pode nunca chegar a proporções clínicas, mas quase invariavelmente prejudica os relacionamentos e o desempenho na maioria das áreas da vida.

Talvez o principal motivo de as pessoas sofrerem mais que nunca desse problema seja a mídia, que frequentemente retrata suas celebridades como maiores que a vida, deixando que os outros sintam sua própria pequenez em contraste com os ícones que desfilam diante deles.

A ideia de autoestima, como a Bíblia apresenta, tem uma perspectiva diferente. A psicologia convencional considera a autoestima como a avaliação que alguém faz de seus próprios atributos e características, a partir da observação que faz de si mesmo e do parecer de outras pessoas. A Bíblia oferece pelo menos dois componentes adicionais: Quem são os seres humanos por origem (Gn 1:26, 27) e o que Deus pensa sobre cada pessoa e o que lhe oferece (Jo 3:16). Quando somamos esses componentes, nossa compreensão sobre a autoestima pode mudar.



Domingo
Ano Bíblico: Nm 25–27


Origem


Hoje, prevalecem duas visões mutuamente exclusivas sobre a origem humana. Uma descreve os seres humanos como produtos de mero acaso, resultado de um acidente cósmico em que nossa existência não foi planejada. Casualmente, viemos à existência. Embora essa opinião sempre haja existido entre algumas pessoas, nos últimos séculos – particularmente depois que as falsas teorias de Charles Darwin se popularizaram — a ideia de a humanidade existir por puro acaso tem enganado milhões. Assim, muitos chegaram a crer que a vida é inerentemente sem propósito, ou que qualquer que seja seu propósito, as pessoas devem tentar alcançar por si mesmas. Por milênios, a maioria das pessoas imaginava que se originavam de Deus ou dos deuses; hoje, muitos acham que vieram dos macacos. Em contraste, existe a visão ensinada na Bíblia.

1. Compare a visão apresentada acima com as declarações da Bíblia. Gn 1:26, 27; Sl 8:5, 100:3; At 17:24-28. Como cada uma dessas posições deve afetar nosso senso de valor próprio e de autoestima?


Deus não só nos criou com um propósito, mas nos criou à Sua imagem. Ele também criou outros maravilhosos seres vivos: plantas e animais, mas, em sua beleza e perfeição, eles não trazem a semelhança de seu Criador, como os seres humanos. Além disso, a humanidade foi colocada acima de todos eles com domínio e autoridade.

Em contraste com a convicção ateísta de que não existe propósito transcendente para a biologia e psicologia humana, a Bíblia ensina que Deus escolheu partilhar “Sua imagem” com a família humana. Obviamente, grande parte dessa imagem foi maculada e perdida por causa das sucessivas gerações de pecado, mas a impressão continua em cada pessoa, e que a imagem perdida pode ser restaurada progressivamente pelo poder transformador do Espírito que opera nos que são rendidos a Cristo.

Deus não só nos criou, mas também nos remiu. De fato, Ellen White disse que Cristo teria morrido até mesmo por uma única pessoa. O que isso nos diz sobre nosso valor inerente, não importando o que o mundo possa pensar sobre nós? Por que é tão importante manter em mente nosso valor aos olhos de Deus?




Segunda
Ano Bíblico: Nm 28–30


Autopercepção


Aquilo que vejo em mim mesmo é um componente importante da autoestima. Porém, é um retrato incompleto e, frequentemente, defeituoso. A subjetividade pode levar a interpretações equivocadas quando avaliamos as pessoas, inclusive a nós mesmos.

Umas das mais sérias advertências bíblicas é contra o julgamento de outra pessoa: “Portanto, és indesculpável, ó homem, quando julgas, quem quer que sejas; porque, no que julgas a outro, a ti mesmo te condenas” (Rm 2:1; veja também Lc 6:41, 42). A distorção parece universal, e as pessoas estão sujeitas a cometer erros quando julgam os outros. O mesmo acontece com nós mesmos. Existe muito erro quando alguém julga a si mesmo em termos de habilidade, aparência, caráter, poder, etc. Sempre vai haver pessoas mais espertas, de melhor aparência e mais talentosas que você; ao mesmo tempo, sempre haverá pessoas que olham para você e se sentem inferiores.

2. Leia cuidadosamente e com oração Mateus 22:39. O que está implícito nesse texto a respeito de como devemos ver a nós mesmos?


Esse texto sugere que uma quantidade razoável de amor deve ir para si mesmo (embora não seja esse o foco principal do texto). Deve existir um orgulho saudável pelas coisas bem feitas, nas tarefas bem realizadas e nas boas características e traços de caráter que alguém possua. Espera-se uma atitude de proteção própria e cuidado de si mesmo. O problema vem quando a pessoa não dá crédito a Deus, o Criador de todas as boas coisas em nós.

3. Como devemos entender Romanos 12:3, levando em conta o que vimos até agora?


Existe uma área mediana desejável entre a extremamente baixa autoestima e a arrogância. E Paulo nos adverte contra a última. Ao mesmo tempo, Romanos 12:4-8 explica que o corpo de Cristo precisa da contribuição de cada membro, de acordo com os dons individuais dados a eles pela graça. Não existe nada de errado em reconhecer cada dom, usando-os para fortalecer a igreja de Cristo, e agradecer a Deus por eles.

Faça mentalmente uma lista dos bons atributos pessoais, características e habilidades que Deus lhe deu. Como você pode usá-los e, ao mesmo tempo, permanecer humilde? A contemplação diária da cruz pode ajudar a nos manter em nosso lugar.




Terça
Ano Bíblico: Nm 31, 32


O que os outros veem


Em muitas sociedades, o valor de uma pessoa é determinado por seus talentos, dons, aparência, e assim por diante. Olhamos para a aparência externa (1Sm 16:7); afinal, isso é tudo que podemos ver. Assim, nosso conceito próprio costuma ser moldado pela reação que os outros mostram, com base na observação externa que fazem de nós. Se todos lhe disserem que você é bonito, é mais provável que você mesmo se ache bonito.

Mas sempre existe muito mais em cada um de nós do que o olho enxerga. Aqueles que sofrem de baixa autoestima precisam pensar em termos de características ou atributos pessoais que têm verdadeiro valor e não necessariamente o que o mundo valoriza, porque, frequentemente, os valores do mundo não têm nenhum valor para Deus.

4. Quais são as coisas que nossa sociedade e cultura valorizam? Qual é a importância dessas coisas para Deus?


Pode haver exceções, mas a maioria das sociedades tende a atribuir muito valor às características externas, observáveis. Porém, outras características, como honestidade, generosidade, temperança ou firme compromisso aos princípios e ideais, tendem a ocupar lugar secundário.

5. Como o preconceito de gênero, classe ou nacionalidade afeta a autoestima das pessoas? Qual deve ser o alvo do cristão em termos de preconceito e discriminação? Gl 3:28


Os efeitos do preconceito são devastadores sobre a autoestima e o desempenho. Como cristãos, devemos fazer um esforço concentrado para levantar e encorajar os outros, qualquer que seja sua origem.

Em 2 Samuel 9, temos a história de Mefibosete, que poderia ter sido objeto da vingança de Davi. Isso explica por que ele teve medo, se inclinou ao chão e se referiu a si mesmo como “um cão morto”. Ele também era incapacitado. Não há dúvida de que a restauração da propriedade familiar, a relocação de servos e as honras concedidas deram a Mefibosete uma medida extra de valor próprio. A influência que as pessoas têm sobre a autoestima dos outros é extremamente poderosa. Mais do que percebemos, temos a habilidade de formar o conceito próprio dos outros por meio de palavras, ações e até nossa forma de olhar para eles.




Quarta
Ano Bíblico: Nm 33, 34


O que Deus Vê


6. De acordo com as três parábolas de Jesus em Lucas 15, qual é nosso valor diante de Deus? O que Deus pensa sobre nós? Por que é tão importante conhecer esse conceito e mantê-lo diante de nós?


Se você se sentir tentado a pensar que é inferior, está perdido ou rejeitado, lembre-se de que, juntamente com essa condição vai algo mais — um cuidado especial e intenso de Deus e Seus anjos. O pastor se importava mais com a ovelha perdida do que com as restantes noventa e nove. A mulher esqueceu suas outras moedas e procurou cuidadosamente até que encontrou a perdida. O pai parece ter dado mais atenção às exigências irracionais do filho pródigo que ao primogênito. Todos, o pastor, a mulher e o pai, mostram uma consideração especial por aqueles que obtiveram menos sucesso.

Então, quando os perdidos são achados, há grande alegria na Terra e no Céu. Veja como essas histórias revelam poderosamente o amor de Deus a cada um de nós, não importando nossas culpas.

Esse princípio pode ajudar aqueles que estão em necessidade. Muito frequentemente, ao falar com os outros, se você lhes der um ambiente seguro, confidencial e acolhedor, só isso já pode lhes fazer muito bem. As pessoas, especialmente as que sofrem, precisam saber que alguém se importa com elas, especialmente em sua dor.

O cristão tem uma clara vantagem sobre quem não aceita nem crê no Senhor. Deus está em ação 24 horas por dia, 7 dias por semana, para ouvir aquele que se sente deprimido, estressado, solitário e ansioso. Essa relação com Deus deve ser razão suficiente para que alguém se sinta especial e obtenha algum alívio para a baixa autoestima.

Evidentemente, a cruz é o maior exemplo de nosso valor aos olhos de Deus. Mais que qualquer outra coisa, essa deve nos mostrar quão valiosos somos diante de Deus, não importando as fraquezas e culpas que temos. A cruz nos diz que, não importa o que os outros pensam sobre nós, somos de valor inestimável para o Criador do Universo. E, afinal, considerando a transitoriedade dos valores da sociedade, no fim, quanto deve realmente valer a visão dos outros e da sociedade como um todo?

Como podemos ajudar outras pessoas a tomar a mensagem de Lucas 15 e aplicá-la a si mesmas? Como podemos ajudar os outros a perceber que Jesus aqui está falando pessoalmente sobre eles?



Quinta
Ano Bíblico: Nm 35, 36


Um novo homem


7. O que Paulo quer dizer por nos “revestir” do novo homem? Qual é a natureza desse novo homem? Ef 4:23, 24


As pessoas gostam de tentar novas aparências: mudar de penteado, comprar novas roupas, e até mesmo fazer uma plástica ou transplante de cabelo. Mas essas ações trazem mudanças apenas exteriores, secundárias. O ser básico permanece inalterado.

Paulo fala sobre um novo ser, relacionado não com a aparência mas com a natureza e a atitude mental. Ele diz que fomos “criado[s] para ser semelhante[s] a Deus em justiça e em santidade provenientes da verdade” (v. 24).

8. Resuma as atitudes e comportamentos que provêm do novo homem. Ef 4:25-32


O novo homem a que Paulo se refere demonstra frutos (veracidade, unidade, honestidade, diligência, conversação saudável, generosidade, perdão). Note, igualmente, que todos os atributos do novo homem têm que ver com bom caráter e relações interpessoais saudáveis, e esses podem estar ligados diretamente às questões de autoestima. Os comportamentos adversos mencionados em Efésios 4, como a mentira, ira e amargura, deixam a pessoa com um senso diminuído de valor. Em contraste, repartir com pessoas necessitadas e ser bondoso e compassivo são ações que podem aumentar a autoestima, pois transferem o centro da pessoa e, assim, deixam a pessoa com senso de realização.

A comunidade cristã precisa de pessoas interessadas em edificar os outros e não em destruí-los. O valor próprio pode ser arruinado facilmente em um instante com palavras rudes de crítica. “É dever de toda família e de cada cristão individualmente opor-se ao uso da linguagem corrupta. Quando em companhia de quem se deleita em palestras tolas, é nosso dever mudar o assunto da conversação, se possível. Com o auxílio da graça de Deus devemos calmamente proferir algumas palavras, ou introduzir um tema que oriente a conversa para terreno mais aproveitável” (Ellen G. White, Parábolas de Jesus, p. 337).



Sexta
Ano Bíblico: Dt 1–3


Estudo adicional


Se Deus cuida de um pardal... como Ele cuidará daqueles que foram comprados pelo sangue de Cristo? Uma pessoa vale mais que todo o mundo. Por uma única pessoa Jesus teria passado pela agonia do Calvário para que fosse salva para Seu reino. ‘Portanto, não tenham medo; vocês valem mais do que muitos pardais” (Ellen G. White, Review and Herald, 3 de maio de 1892).

“Perdemos muitas e ricas bênçãos porque negligenciamos buscar o Senhor com coração humilde. Quando formos a Ele com coração sincero, pedindo-Lhe que revele nossos defeitos, Ele nos mostrará um quadro verdadeiro de nós mesmos, refletido no espelho de Sua Palavra. Então, tendo nos visto como Deus nos vê, não saímos esquecidos de que tipo de pessoas somos. Vamos estudar cuidadosamente os traços defeituosos de nosso caráter e buscar graça para torná-los semelhantes ao padrão apresentado na Palavra de Deus” (Ellen G. White, The Lake Union Herald, 3 de novembro de 1909).

Os dois parágrafos acima nos dão uma compreensão adicional para manter o equilíbrio entre a inferioridade e a vaidade. Leia Romanos 12:2, 3 à luz desses textos para compreender melhor como alcançar um conceito próprio equilibrado.

Perguntas para reflexão
1. O século 20 foi um dos mais violentos da história, com assassinatos em massa em escala nunca vista antes. Como a visão darwinista da existência humana, que afirma que toda vida é produto de mutação fortuita e seleção natural, pode ser responsável, ao menos parcialmente, por esse total descaso pela santidade da vida humana? Em outras palavras, se somos apenas macacos avançados, produtos unicamente do acaso, qual é o valor inerente de uma vida individual?
2. Pense mais no que a cruz de Cristo nos ensina sobre nosso valor individual. Pense no que aconteceu na cruz, quem estava sobre ela, e o que significou Sua morte. Como a cruz deve nos ajudar a ter mais senso de qual realmente é nosso valor individual?

Respostas sugestivas:
Pergunta 1: Se somos produto de mero acaso, não temos muito mais valor que esta vida. Se somos criaturas de Deus, Ele nos atribui imenso valor,
Pergunta 2: No mesmo nível do nosso próximo. Nem acima, nem abaixo. Neste sentido, o amor próprio é apropriado.
Pergunta 3: Sem falsa modéstia, mas com a verdadeira modéstia cristã.
Pergunta 4: Resposta pessoal.
Pergunta 5: Todos somos iguais diante de Deus e uns dos outros. Toda discriminação é pecaminosa.
Pergunta 6: Deus mostrou nosso valor a ponto dar a vida de Seu Filho para a nossa salvação.
Pergunta 7: A renovação parte do interior transformado pelo poder de Deus e se manifesta em nossas atitudes e atos.
Pergunta 8: Veracidade, paz, honestidade e outras virtudes mais.

PODER DE RECUPERAÇÃO


Sábado à tarde
Ano Bíblico: Nm 4–6

Verso para Memorizar: “Deus é o nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente nas tribulações. Portanto, não temeremos ainda que a terra se transtorne e os montes se abalem no seio dos mares; ainda que as águas tumultuem e espumejem e na sua fúria os montes se estremeçam” (Salmo 46:1-3).

Leituras da semana: Jó 19:25; Tg 5:10, 11; Rt 1; Et 2; 2Co 11:23-28; Fp 4:11-13

Poder de recuperação é o processo de enfrentar adversidades, traumas, tragédias, ameaças, ou estresse extremos e retornar em bom estado sem ser muito afetado negativamente pela experiência. O conceito tem recebido crescente atenção pela importância do poder de recuperação diante das dificuldades da vida. Afinal, quem entre nós, vez por outra, não enfrenta razoáveis fatores estressantes, de uma forma ou outra? A pergunta é: Como ter o poder de recuperação para lidar com o que acontece e não ser destruído emocionalmente no processo?

Na década de 1960, Victor e Mildred Goertzel escreveram Cradles of Eminence [Berços de Eminência], que apresentava análises biográficas de mais de 700 personagens que passaram por grandes adversidades na infância (lares destruídos, limitações financeiras, físicas e/ou impedimentos psicológicos, etc.) e ainda alcançaram grande sucesso. O livro foi atualizado em 2004.

A Bíblia também fala de pessoas que tiveram que enfrentar adversidades mas que, pela graça de Deus, reagiram e venceram os problemas. Apesar das circunstâncias difíceis e até falhas de caráter, elas foram usadas por Deus porque tiveram o poder de recuperação para avançar, mesmo em meio de circunstâncias adversas.



Domingo
Ano Bíblico: Nm 7, 8


A paciência de Jó


1. Que características de Jó o tornam digno de ser imitado? Tg 5:10, 11. Veja também Jó 1-3.


Uma senhora submetida a aconselhamento para se recuperar de uma séria crise disse aos amigos que uma ideia transmitida pelo conselheiro foi fundamental para sua recuperação. “O que mais me ajudou”, ela disse, “foi que o conselheiro insistia que minhas situações dolorosas teriam fim. ‘Parece escuro e interminável agora,’ o conselheiro costumava dizer, ‘mas não vai durar muito mais’. Esse pensamento me ajudou a obter o poder de recuperação.” Em outras palavras, o conselheiro manteve viva a esperança da paciente.
Como ter a paciência aumentada? George Goodman, da Inglaterra, certa vez recebeu um jovem que precisava de oração. Ele expressou diretamente sua necessidade: “Sr. Goodman, desejo que o senhor ore para que eu tenha paciência”.

O idoso homem respondeu: “Sim, vou orar para que você tenha tribulação.” “Ah, não, senhor”, o jovem respondeu, “é de paciência que preciso.” “Entendo”, disse Goodman, “e vou orar para que você tenha tribulação.” Então, o professor de Bíblia abriu a Bíblia e leu Romanos 5:3 para o jovem pasmo: “E não somente isto, mas também nos gloriamos nas próprias tribulações, sabendo que a tribulação produz perseverança”.

A história de Jó oferece um exemplo supremo do poder de recuperação. No início da vida, Jó entendeu que Deus é misericordioso e justo. Ele não entendia as razões de seu sofrimento; não encontrou apoio na esposa; sua propriedade e seus filhos foram destruídos, e então, ele contraiu uma doença horrível. Mas, de alguma forma, em meio a tudo isso, ele nunca perdeu a fé em Deus e persistiu até que a tragédia terminasse.

2. A que esperança se apegou Jó? Jó 19:25. Como podemos aprender melhor a nos apegar a essa esperança em nossas próprias adversidades?

Pense nas ocasiões em que você passou por algo terrível. Que esperança o sustentou? Que palavras ditas a você foram úteis? Quais palavras não foram tão úteis, ou mesmo, foram prejudiciais? O que você aprendeu para ajudar melhor alguém que esteja passando por grande adversidade agora?





Segunda
Ano Bíblico: Nm 9–11


José no cativeiro


Leia Gênesis 37:19-28 e Gênesis 39:12-20 e tente pôr-se na pele de José. Imagine como ele deve ter ficado desanimado. Imagine o potencial de ira e amargura que ele poderia ter desenvolvido, e com razão. Embora a Bíblia não nos conte em detalhes quais foram suas emoções, não é difícil imaginar a dor que ele sofreu por tanta traição e deslealdade.

Não obstante, José se voltou para o Senhor nessas dificuldades e, no fim, boas coisas resultaram desses eventos. Depois de ter sido vendido por seus irmãos, José passou realmente pela conversão e teve um relacionamento muito mais íntimo com Deus. “Contaram-lhe a respeito das promessas do Senhor a Jacó, e de como tinham elas se cumprido – como, na hora de necessidade, os anjos de Deus tinham vindo instruí-lo, consolá-lo e protegê-lo. Ele aprendeu acerca do amor de Deus, provendo um Redentor aos homens. Todas estas lições preciosas vinham agora vividamente diante dele. José acreditava que o Deus de seus pais seria o seu Deus. Ali mesmo se entregou completamente ao Senhor” (Ellen G. White, Patriarcas e Profetas, p. 213, 214).

Quando ele foi lançado injustamente na prisão, a experiência abriu o caminho para a corte de Faraó, para cumprir a missão de salvar muitos e seu próprio povo.

3. O que os textos a seguir nos dizem como as situações ruins podem ser transformadas em boas?
a) Rm 5:3-5
b) 2Co 1:3, 4
c) 2Co 1:8, 9
d) 2Tm 1:11, 12

Deus não quer que soframos desnecessariamente. De fato, o ambiente que Jesus preparou para nós no Céu é sem lágrimas e sem dores (Ap 21:4). Mas, enquanto esperamos que essa promessa se cumpra, parece certo que a dor é o caminho para aprender certas lições. Desenvolvimento de caráter, empatia, humildade, discipulado, distinção entre o bem e o mal – essas são algumas das lições que podemos aprender. Embora seja difícil pensar nos benefícios do sofrimento, especialmente em meio à provação, podemos pedir de Deus a força necessária para superar as dificuldades.

Você já teve alguma experiência terrível que ao fim trouxe algum bem, algum benefício? Como esse fato pode ajudá-lo a confiar no Senhor em alguma adversidade, mesmo quando não pareça provável existir algum bem?



Terça
Ano Bíblico: Nm 12–14


Noemi


4. Quais foram alguns dos infortúnios experimentados por Noemi? Rute 1


Deixar o próprio país para viver em outro lugar é sempre assustador, especialmente quando a mudança é motivada pela necessidade de sobreviver. A fome em Judá forçou Elimeleque, Noemi e seus dois filhos a emigrar para o país de Moabe, área agrícola em que eles poderiam obter alimento. Os moabitas eram um povo idólatra (Jz 10:6) cujas práticas conflitavam com as crenças judaicas. Só isso já deve ter produzido muita perturbação para os recém-chegados. Poucos dias depois de se terem estabelecido, o marido de Noemi morreu. Mãe e filhos se achavam em terra estranha, degradados à condição de viúva e órfãos, sem proteção e sujeitos a mais uma humilhação. Então, os filhos de Noemi, Malom e Quiliom, se casaram com mulheres moabitas. Esse fato pode ter provocado conflito para a família, ao menos no princípio, por causa de significativas diferenças religiosas. Embora a lei não proibisse especificamente os casamentos entre judeus e moabitas, estava estipulado que nem os moabitas nem seus descendentes poderiam entrar na assembleia do Senhor até depois de dez gerações (Dt 23:3).

Mais tarde, Malom e Quiliom, cujos nomes significavam respectivamente “doença” e “devastação”, também morreram. É difícil imaginar uma situação mais trágica para a vida de Noemi – nenhum parente vivo nas proximidades, e demais familiares na distante Belém.

5. Qual foi o ponto de virada na vida do Noemi? Como Deus corrigiu as graves adversidades sofridas por Noemi? Rt 1:16-18; 4:13-17


No momento mais profundo da dificuldade de Noemi, sua nora Rute lhe serviu de apoio emocional enviado por Deus. Noemi deve ter sido notável por haver inspirado a devoção de suas duas noras, especialmente de Rute, que aceitou o Deus de Israel e tomou a firme decisão de cuidar da sogra por toda a vida em uma terra cujos habitantes eram, historicamente, seus inimigos.

Os capítulos 2 a 4 apresentam uma bela sucessão de eventos que culminaram em um feliz acordo familiar. Noemi deixou para trás os incontáveis sofrimentos e viveu para testemunhar o casamento de Rute com Boaz e o nascimento de seu neto Obede, pai de Jessé, pai de Davi.

Por mais que, em última instância, precisemos confiar no Senhor e entregar tudo a Ele, às vezes, precisamos também de ajuda humana. Quando, pela última vez, você precisou realmente da ajuda de alguém? O que você aprendeu dessa experiência?




Quarta
Ano Bíblico: Nm 15, 16


Os dias de estresse de Ester


6. Quais foram algumas das adversidades, lutas e pressões que Ester enfrentou?
a) Et 2:6, 7
b) Et 2:10
c) Et 2:21, 22
d) Et 4:4-17
e) Et 7:3, 4; 8:3

Desde os primeiros anos, Ester viveu como órfã. Embora tivesse sido adotada por seu primo mais idoso, Mordecai, o estigma da infância sem pais foi, certamente, difícil. Apesar disso, Ester cresceu como uma jovem equilibrada, determinada e capaz.

Depois de se tornar rainha, Ester não revelou sua nacionalidade nem seu parentesco. Esse foi um desafio particularmente pesado. Cercada por comidas, luxos e práticas da vida na corte, de alguma forma, Ester teve que manter sua fé e identidade judaica. Além disso, o risco de ser identificada como membro do povo judeu era real, e as consequências de sua identidade eram incertas.

Ester também teve que levar ao rei as más notícias de que os oficiais estavam conspirando matá-lo. Essa não foi uma fácil tarefa porque, se o complô não ficasse provado, Ester e seu primo poderiam ser acusados de dar início a boatos, e quem sabia quais seriam os resultados?

Mas a maior responsabilidade colocada sobre Ester foi ser deixada como o único canal para salvar sua nação. Mordecai lhe pediu que intercedesse em nome dos judeus, o que ela não poderia fazer sem arriscar a vida. Quando ela vacilou, o primo pôs ainda mais pressão sobre ela: “Porque, se de todo te calares agora, de outra parte se levantará para os judeus socorro e livramento, mas tu e a casa de teu pai perecereis” (Et 4:14). Que intensidade de estresse!

Entretanto, ela compareceu diante do rei, sabendo que esse ato representava um elevado risco de morte. Finalmente, as coisas deram certo, por mais perigosa que às vezes a situação tenha sido para essa jovem mulher.

Assim como Ester, todos nós nascemos em situações que não criamos. Qual é sua origem? Que coisas você recebeu, boas e más, pelas quais não pediu? Como você pode aprender a apreciar mais as coisas boas que recebeu e vencer as más?



Quinta
Ano Bíblico: Nm 17–19


O segredo de estar contente


Paulo nasceu e cresceu em Tarso, em uma família hebreia da tribo de Benjamin. Ele obteve sua nacionalidade romana por meio do pai, cidadão do Império Romano. Tornou-se fariseu, um grupo devoto que seguia a lei (Torah) mais a tradição oral (Mishnah). Com essa origem, ele deve ter apreciado os privilégios de seu status social e religioso.

Porém, quando Paulo respondeu ao chamado de Jesus, tudo mudou. Em vez de perseguidor, ele se tornou o objeto da perseguição radical de alguns de sua própria nação e, mais tarde, dos romanos. Sofreu tribulações por três décadas e foi executado depois de ter sido encarcerado em Roma.

7. Leia 2 Coríntios 11:23-28, que menciona algumas das adversidades que Paulo teve que enfrentar. Então, leia Filipenses 4:11-13. Depois de tanto sofrimento, que avaliação faz Paulo da própria vida?


O contentamento é um componente fundamental de felicidade e bem-estar psicológico. Essa disposição se dá aos que veem a perspectiva positiva das coisas, que olham ao passado com aceitação e ao futuro com esperança. Curiosamente, ter “tudo” não garante satisfação nem felicidade. Para alguns, não importando tudo o que tenham, nunca é suficiente. Outros, tendo tão pouco, ainda assim estão satisfeitos. O que você acha que faz a diferença?

Uma das muitas definições atuais de “inteligência” é a habilidade de se adaptar a novas situações. Isso pode significar viver em novos lugares, relacionar-se com novas pessoas, experimentar novas condições socioeconômicas. A habilidade de Paulo não é uma característica hereditária, porque ele diz especificamente: “Aprendi a viver contente” (Fp 4:11). Essa não é uma capacidade que alguns possuem e outros, não. A adaptação e a satisfação em meio a uma grande variedade de circunstâncias são processos aprendidos que sobrevêm com o passar do tempo e com a prática.

O verso 13 dá a chave mais importante para o poder de recuperação de Paulo. Ele podia não só sentir satisfação com poucos ou muitos recursos materiais, mas podia fazer qualquer coisa e tudo em nome de Jesus Cristo.

Como está seu contentamento? Você tem sido sacudido de cá para lá e vitimado pelas circunstâncias? Como você pode aprender a “viver contente em toda e qualquer situação” (v. 11)?



Sexta
Ano Bíblico: Nm 20, 21

Estudo adicional


Os poderes das trevas se adensam em torno da mente e excluem Jesus ao nosso olhar e, por vezes, só nos é possível, em espanto e aflição, esperar até que as nuvens passem. Há ocasiões em que esses períodos são terríveis. A esperança parece falhar, e o desespero, se apoderar de nós. Nessas horas tremendas, precisamos aprender a confiar, a depender unicamente dos méritos da expiação e, em toda a nossa impotente indignidade, nos lançar sobre os méritos do Salvador crucificado e ressurgido. Enquanto assim fizermos, nunca pereceremos – nunca! Quando resplandece a luz em nossa estrada, não é grande coisa ser forte no poder da graça. Mas esperar pacientemente com esperança quando nos achamos rodeados de nuvens e tudo parece escuro, requer fé e submissão que fazem com que nossa vontade seja absorvida pela vontade de Deus. Mui facilmente, ficamos desanimados e clamamos ansiosamente para que seja removida de nós a provação, quando devemos pedir paciência para resistir e graça para vencer” (Ellen G. White, Maravilhosa Graça, p. 114).

Perguntas para reflexão
1. Pense mais na questão das provações e tragédias que não parecem ter final feliz. O que devemos fazer nesses casos? Como podemos conciliar esses fatos com nossa fé e as promessas de Deus?
2. Na terceira sentença da citação de Ellen G. White acima (“Nessas horas tremendas, precisamos...”), que mensagem ela está transmitindo? De acordo com o que ela diz, onde está nossa esperança? Por que, afinal, o evangelho, como apresentado nessas palavras, é nossa única esperança, não importando a tragédia que nos aconteça agora?
3. Como você pode aplicar à prática o conselho do apóstolo em 1 Pedro 4:12, 13? Uma coisa é manter o poder de recuperação e ser fiel em meio às provações, mas como fazer o que Pedro diz? Isso é possível?
4. Suponha que você estivesse lidando com uma pessoa em uma situação terrível, em que parecesse não haver saída, humanamente falando. Suponha, também, que você só tivesse cinco minutos com ela. Nesses poucos minutos, o que você diria para lhe dar esperança?

Respostas sugestivas:
Pergunta 1: Integridade, paciência, justiça, temor de Deus.
Pergunta 2: À ressurreição.
Pergunta 3: a) A tribulação produz perseverança. b) Nos transforma em consoladores; c e d) Desenvolve a confiança e a fé.
Pergunta 4: A fome a fez emigrar; Morreu seu marido, morreram seus filhos; A viuvez a levou à indigência.
Pergunta 5: A nora a acompanhou em todas as circunstâncias.
Pergunta 6: a) Orfandade; b) Exílio; c) Traição de dois servidores do rei; d) Sentença de morte por Amã. E) Risco de morte por comparecer diante do rei sem ter sido chamada.
Pergunta 7: Não era abalado nem por fome e escassez nem por fartura e riqueza.

ESPERANÇA CONTRA A DEPRESSÃO



Sábado à tarde
Ano Bíblico: Lv 13, 14

Verso para Memorizar: “Perto está o Senhor dos que têm o coração quebrantado e salva os de espírito oprimido” (Salmo 34:18).

Leituras da semana: Sl 42, 31:10; 39:2-7; 32:1-5; 1Jo 1:9; Mq 7:1-7; Ap 21:2-4

A depressão, ou extremo desânimo a ponto de tornar a pessoa inválida, tem sido experimentada desde o começo do pecado. Vários personagens da Bíblia exibiram sintomas que, hoje, provavelmente preencheriam os critérios de diagnóstico da depressão.

A perda da esperança é um sintoma da depressão, e a mensagem bíblica de esperança pode nos oferecer muito, em contraste com um mundo que oferece tão pouco. Todos, às vezes, passam por momentos de desânimo extremo por qualquer variedade de motivos. Não é de admirar, portanto, que a Palavra de Deus esteja cheia de promessas que, não importando nossa situação, podem dar a todos nós motivos para esperar um futuro melhor, se não neste mundo, certamente no porvir.

Claro, quando a depressão é séria, é importante procurar ajuda profissional, tanto quanto possível. Por meio dessas pessoas, o Senhor pode trabalhar para ajudar aqueles que estão em necessidade de cuidados especiais. Afinal, independentemente de seu relacionamento com Deus, se estivesse fisicamente doente, você buscaria a ajuda de um médico ou profissional de saúde. O mesmo acontece com os que estão sofrendo de depressão clínica severa, que frequentemente é provocada por uma predisposição genética e desequilíbrio químico no cérebro. Assim, até mesmo os cristãos, às vezes, podem precisar da ajuda de profissionais.



Domingo
Ano Bíblico: Lv 15, 16

Abatimento


1. Que sentimentos expressou Davi no Salmo 42? Que esperança é oferecida?


Davi sofria de sérias alterações de humor, em muitas ocasiões, motivadas pela perseguição injusta (por exemplo, Saul e os adversários de Israel). Além disso, o fato de ter violado os mandamentos de Deus provocava profundo senso de culpa (Sl 51:4), e, frequentemente, a culpa está associada à depressão.

Quando a pessoa tem uma imagem negativa de si mesma (“eu sou burro”), encara o mundo de forma pessimista (“a vida é sempre injusta”), e contempla o futuro sem esperanças (“nunca vai melhorar”), as chances de depressão se tornam elevadas. Essa atitude é chamada de “pensamento catastrófico”.

Os cristãos podem optar por maneiras alternativas de interpretar as coisas, incorporando à equação o plano e as mensagens de Deus.
Pense nas seguintes alternativas:

1. Como olhar a si mesmo. Você foi criado à imagem de Deus, pois governa sobre a criação (Gn 1:26, 27). As características de Deus, embora maculadas, ainda estão em você. Jesus Cristo, em Seu sacrifício, o salvou da morte eterna e lhe concedeu privilégios – raça eleita, sacerdócio real, nação santa (1Pe 2:9). Perante os olhos de Deus, você tem um valor infinito.
2. O mundo. É verdade que o mundo está falido e cheio de mal. Ao mesmo tempo, também existem muitas coisas corretas, nobres e admiráveis (Fp 4:8) em que pensar. Além disso, os cristãos podem entender sem desespero a existência do mal, pois conhecem sua origem e destino final.
3. O futuro. Que futuro maravilhoso está reservado para os filhos de Deus! A Bíblia está cheia de promessas com a certeza de salvação (Sl 37:39).

Tristeza não é pecado. Afinal, com frequência, o próprio Jesus Se sentia triste. Não devemos nos sentir culpados por motivo de tristeza ou depressão. Em alguns casos, temos boas razões para nos sentir mal. Como você pode usar as verdades bíblicas declaradas acima para lidar com quaisquer dificuldades que esteja enfrentando agora?



Segunda
Ano Bíblico: Lv 17–19


Consequências do desânimo


Eu soltava fracos gemidos de dor como uma andorinha e gemia como uma pomba. Os meus olhos se cansaram de olhar para o céu. Ó Senhor, estou sofrendo! Salva-me!” (Is 38:14, NTLH).

A descrição bíblica acima não deixa dúvida sobre a forte dor manifestada pelo ruidoso pranto de Ezequias. Existem diferenças culturais na manifestação da angústia emocional. Em certos contextos, o povo sofre em silêncio, evitando qualquer reclamação evidente ou visível. Outros (como Ezequias) usam gemidos e lamentações quando sofrem tristeza. Também existem diferenças pessoais; alguns podem se aproximar da morte com mais tranquilidade que outros.

Nas pessoas que sofrem de alguma doença prolongada ou terminal, são comuns os sintomas da depressão. Ezequias estava sofrendo de enfermidade, e sua gravidade prenunciava a morte. Assim, ele experimentou um período de depressão, como descreve Isaías 38. Os sintomas de depressão são tão dolorosos que muitos tentam o suicídio para dar fim a essa experiência horrível. De fato, mais de 10 por cento dos pacientes clinicamente deprimidos cometem suicídio. Claramente, a depressão clínica é um assunto sério e deve ser tratada desse modo.

2. Que sintomas estão expressos nos textos a seguir?
a) Sl 31:10
b) Sl 77:4
c) Sl 102:4, 5
d) 1Rs 19:4

A depressão traz diversas manifestações dolorosas: (a) profundo senso de tristeza, (b) falta de motivação para fazer qualquer coisa, até mesmo atividades agradáveis, (c) mudança de apetite e/ou perda ou ganho de peso, (d) distúrbios do sono: sono insuficiente ou demasiado, (e) sentimentos de baixa autoestima, (f) raciocínio e memória fracos e (g) pensamentos de morte e suicídio. Alguns têm só um ou dois desses sintomas, enquanto outros manifestam vários deles e sofrem por meses até que o episódio termine. Em todo caso, o fardo da depressão é enorme e deve ser aliviado por meio de intervenção médica e espiritual.

Uma vez ou outra, de uma forma ou de outra, por um motivo ou outro, todos sofremos tristeza e desânimo. Que coisas o deixam deprimido, e por quê? Lembre-se de incidentes passados e da direção de Deus em sua vida. Que esperança e encorajamento você pode obter quando se lembra da guia do Senhor? Por que é importante manter vivas essas lembranças?



Terça
Ano Bíblico: Lv 20–22


Alívio da depressão


3. Que aconteceu quando Davi permaneceu em silêncio? Qual foi o resultado de se expressar em voz alta? Sl 39:2-7


Como a maioria das doenças emocionais, o paciente de depressão necessita falar sobre suas dificuldades. Por si só, esse ato pode dar início à cura. Aproximar-se do Senhor em oração fervente e sincera é um caminho seguro para liberar o estresse e a dor psicológica. Frequentemente, precisa haver mais tratamento, mas pode ser um bom começo.

A estratégia básica para lidar com a depressão consiste em falar com um amigo (ou um terapeuta) que saiba ouvir e, muito melhor, que saiba como ajudar a obter recursos mais intensivos, se necessário. Existe um efeito curativo na verbalização dos pensamentos e sentimentos. A comunidade da igreja pode prover um excelente contexto para ajudar o desencorajado, mas, frequentemente, isso é insuficiente, especialmente quando se requer cuidado profissional. Não obstante, é importante que quem esteja passando por tempos difíceis e que esteja se sentindo desencorajado ou mesmo deprimido tenha alguém de confiança com quem falar. Às vezes, só o ato de falar com alguém pode ser uma grande ajuda para que a pessoa se sinta melhor.

4. Que promessa existe no Salmo 55:17? Por que essa promessa deve significar tanto para nós?


O encontro com o conselheiro, mesmo que seja possível, pode não estar agendado até a semana que vem, mas, como Davi – que aprendeu a obter ajuda a qualquer hora do dia ou qualquer dia da semana – também nós podemos nos voltar para o Senhor em qualquer momento. Davi sabia que o Senhor ouvia sua voz, e isso o encorajava muito.

Até mesmo os psicólogos seculares estão recomendando que os pacientes que creem na oração, orem. Todos nós, mesmo quando não sofremos de depressão clínica, podemos experimentar o efeito saudável da oração ao Senhor para nos ajudar. Não importa quem somos nós nem qual a profundeza de nosso desânimo, um relacionamento com Deus pode ajudar muito a trazer esperança, encorajamento e cura.

Certa vez, Ellen G. White descreveu a oração como “o abrir do coração a Deus como a um amigo” (Testemunhos Para a Igreja, v. 4, p. 533). Embora nem sempre a oração resolva todos os nossos problemas, como nos ajuda a lidar com eles?




Quarta
Ano Bíblico: Lv 23–25


A necessidade de perdão


5. Como Davi achou alívio para sua agonia? Sl 32:1-5; veja também 1Jo 1:9. Como podemos achar esse mesmo alívio para nós mesmos?


A culpa produzida por pecados não confessados pode se tornar extremamente dolorosa. As expressões usadas por Davi indicam claramente dor intensa, interna. O Salmo 32 e outras passagens dos Salmos mostram a severidade da angústia emocional de Davi.
Quando lidamos com pessoas que sofrem de depressão, devemos ser extremamente cuidadosos em não culpá-los por não haverem confessado seus pecados! Nem devemos simplesmente concluir que são maus, e por isso estão sofrendo. Infelizmente, muitos parecem poder oferecer preocupação e compreensão aos que sofrem de uma doença orgânica ou de verdadeira depressão clínica, mas tendem a ser críticos no trato dos distúrbios mentais ou emocionais provocados por suas próprias ações errôneas.

Edgar Allan Poe, em seu conto “O coração delator”, se refere à história de um homem que cometeu assassinato e escondeu o corpo da vítima debaixo das tábuas do assoalho do quarto em que o assassinato foi cometido. Ele esperava esconder a culpa com o corpo, mas um forte senso de remorso cresceu dentro dele. Um dia, ele ouviu as batidas do coração da vítima; e as batidas ficaram cada vez mais fortes. Mais tarde, ficou claro que as batidas não vinham da sepultura abaixo, mas de seu próprio coração.

Ao mesmo tempo, também, existem pessoas que, tendo confessado seus pecados, ainda sofrem muito pelo senso de culpa. Elas frequentemente se acham indignas de perdão e lamentam o horrível sofrimento que trouxeram por causa de seus pecados, embora tenham sido confessados e, pela fé, tenham sido perdoados por Deus. Essa também pode ser grande fonte de angústia emocional. Nesses casos, é importante destacar as promessas divinas de cura e aceitação, mesmo para os piores pecados. Não podemos desfazer o passado; o que podemos fazer, pela graça de Deus, é buscar aprender de nossos erros passados e, na medida do possível, fazer restituição por todo erro que tenhamos cometido. Afinal, tudo o que podemos fazer é render-nos a Deus e buscar Sua misericórdia, graça e cura.

Mesmo tendo confessado seus pecados, muitos ainda abrigam sentimentos de culpa. Por que é tão importante reconhecer nossos pecados, considerar nossa responsabilidade sobre eles e aprender a ir em frente, apesar de quaisquer erros que cometemos?



Quinta
Ano Bíblico: Lv 26, 27


Esperança contra a angústia


6. Qual foi a saída do profeta para os problemas sociais e interpessoais à sua volta? Mq 7:1-7


Apenas nos primeiros seis versos, Miqueias descreve um completo leque de atos imorais, pouco éticos e agressivos que havia em seu tempo. Sempre houve diversas formas de opressão e abuso, falta de respeito e consideração, corrupção e engano, desde o começo do pecado. Até hoje, todos enfrentamos esses males. Basta pegar o jornal de hoje, e você poderá encontrar uma correlação direta com a miséria de Israel naquele tempo. Esse caos sociológico se torna especialmente nocivo quando chega perto de casa – afetando algum vizinho, amigo, cônjuge, filho, pai (Mq 7:5, 6).

Relacionamentos interpessoais altamente defeituosos levam a muito estresse e estão associadas à depressão. A esperança é o ingrediente conclusivo claramente indicado por Miqueias (v. 7) para sobreviver em meio a uma crise assim.

A esperança é essencial para se viver com uma saúde mental razoável. A esperança deve existir mesmo para os incrédulos – o jovem à procura de emprego deve esperar encontrar um trabalho, o viajante perdido deve esperar encontrar o caminho, e os investidores que perdem dinheiro devem crer que tempos melhores virão. Viver sem nenhuma esperança leva à falta de significado e morte.

A esperança apresentada na Bíblia vai muito além de uma expectativa positiva. Ela abrange uma perfeita solução e salvação final a partir da redenção em Jesus Cristo. A histórica “bendita esperança” dos adventistas do sétimo dia deve se tornar o ponto focal de nossa vida. A expectação pela vinda de Jesus nos ajuda a obter perspectiva sobre muitas coisas desagradáveis que nos cercam e nos permite olhar com confiança em direção à eternidade.

7. Que esperança nos é oferecida nas promessas da Bíblia? Is 65:17; 2Pe 3:13; Ap 21:2-4. Por que, em certo sentido, essa é a única esperança para alguns de nós?


A fé na nova criação pode trazer conforto àquele que sofre. Assim como a mulher em serviço de parto espera o resultado final do nascimento de seu filho e logo “já não se lembra da aflição” (Jo 16:21), aquele que está perturbado pode, pela graça de Deus, obter esperança pela visão de um Deus amoroso que nos promete um novo mundo sem nenhuma das coisas que nos trazem tanta tristeza atualmente.




Sexta
Ano Bíblico: Nm 1–3


Estudo adicional


Leia e medite em Mateus 26:36-43. Jesus estava mergulhado “numa tristeza mortal” (v. 38, NVI). Pense na agonia de Jesus, diante da falta de apoio social e da traição de Seus discípulos, da aparente separação de Deus, e da carga de culpa da humanidade. Seu sofrimento ultrapassou qualquer episódio depressivo experimentado pelos mortais.

“Ao Se aproximar do Getsêmani, [Jesus] Se tornou estranhamente mudo. Muitas vezes estivera ali, para meditar e orar; mas nunca com o coração tão cheio de tristeza como nessa noite de Sua última agonia. Durante Sua vida na Terra, andara à luz da presença de Deus. Quando em conflito com homens que eram inspirados pelo próprio espírito de Satanás, podia dizer: ‘Aquele que Me enviou está comigo; o Pai não Me tem deixado só, porque Eu faço sempre o que Lhe agrada’ (Jo 8:29). Agora, porém, parecia excluído da luz da mantenedora presença de Deus. Era então contado entre os transgressores. Devia suportar a culpa da humanidade caída. Sobre aquele que não conheceu pecado, devia pesar a iniquidade da humanidade. Tão terrível Lhe parecia o pecado, tão grande o peso da culpa que devia levar sobre Si, que foi tentado a temer que ele O separasse para sempre do amor do Pai. Sentindo quão terrível é a ira de Deus contra a transgressão, exclamou: ‘A Minha alma está profundamente triste até a morte’” (Ellen G. White, O Desejado de Todas as Nações, p. 685).

Perguntas para reflexão
1. Que grande papel sua comunidade da igreja local pode desempenhar na ajuda aos que estão sofrendo de depressão ou angústia emocional por alguma razão? Não importando quais sejam seus recursos, não importando quão limitados sejam, que mais pode ser feito para ajudar os que têm necessidades?
2. Como você pode ajudar alguém que ora, aconselha, ama o Senhor e nEle confia, mas ainda se sente subjugado pela tristeza, mesmo não entendendo por quê? Como você pode ajudar essa pessoa a não desistir da fé, mas a se apegar à esperança e às promessas da Palavra?

Respostas sugestivas:
Pergunta 1: Desânimo, depressão, abatimento. Deus tem misericórdia.
Pergunta 2: a) tristeza; b) perturbação; c) inapetência; d) desejo de morte.
Pergunta 3: A dor se agravou. Encontrou esperança em Deus.
Pergunta 4: Deus ouve nossa voz.
Pergunta 5: Buscou o perdão de Deus.
Pergunta 6: Olhar para o Senhor e esperar em Deus, que nos ouve.
Pergunta 7: Não haverá lembranças do passado.